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domingo, 18 de dezembro de 2016

Customizando um Diorama

Olá pessoal! Hoje vou fazer um post sobre como customizei meu primeiro diorama. ( ͡ᵔ ͜ʖ ͡ᵔ )

Este projeto foi feito em conjunto com os ouvintes do Jogabilidade através de um grupo no Telegram para presentear um dos membros do site, o Rick. A ideia do diorama foi decidida em conjunto, mas o tema foi obra do Vinícius Nakamura. (◕3◕)

Vamos ao projeto!

Primeiramente, o Nakamura decidiu que faria uma cena do jogo The Last of Us. Contexto: o Rick tem uma cadelinha muito fofa chamada Ellie e ela ganhou este nome por causa da Ellie do The Last of Us. Duh! (≧◡≦) Dessa forma, ele decidiu que faria uma cena em que o Joel (protagonista) empurra a Ellie numa tábua para atravessar a água.


The Last of Us
A modelagem 3D da idéia dele ficou assim:






O Nakamura tem acesso a uma impressoa 3D no trabalho dele, então ele imprimiu o projeto. Saiu assim:


Depois ele construiu a base e finalizou o acabamento:





Ele fez os ajustes finais e finalmente enviou as peças para mim. A peça foi enviada já com acabamento na base e nos bonecos.



Porém quando eu fui personalizar com tinta eu me dei conta de que apenas pintar não ficaria tão legal. Bem, na verdade, a ideia inicial era imprimir numa folha o cenário e colar numa placa de isopor prensado e pintar normalmente todo o projeto com tinta. Mas eu queria fazer algo mais bonito e que ficasse mais interessante visualmente, então comecei a estudar dioramas.

Eu pesquisei muitos materiais e vi muitos tutorais. Foi difícil decidir quais materiais eu usaria e principalmente aprender a usar coisas que nunca havia usado. Inicialmente eu estava decidida a fazer a água com uma simples folha de acetato mas depois que eu descobri resinas eu não quis usar outra coisa.

Além disso, eu queria dar mais vida ao rosto dos personagens. e apenas com tinta isso não seria possível pois eu queria adicionar relevo. Eu precisava, também, aplicar efeitos nos cabelos do personagem e nos pêlos da cachorrinha.

Então depois de muito pesquisar, depois de sair de casa e quebrar a cara algumas vezes em lojas, eu decidi finalmente os materiais que usaria.

Comecei com a argila.

Teste com argila

Porém devido à minha inexperiência, eu nao sabia que a argila comum (escolar) poderia ser tão dificil de lidar. Eu achei que poderia fazer tudo com ela porque não precisa assar como outras massas, mas ela se demonstrou muito rústica e farelenta. Então eu usei a argila apenas para o muro.

Passei argila no muro todo
Apesar de ter comprado material para escultura, eu usei ferramenta de manicure

Fazendo os tijolos

A argila vai secando com o tempo, mas é só umedecer para continuar



Eu construí cuidadosamente cada tijolo! No final, é preciso misturar água e cola e passar em toda a área da argila. Eu descobri isso depois (e a tempo, ainda bem) pois eu estava muito insegura quanto à resistência desse material e resolvi pesquisar mais. A cola ajuda a argila a ficar com um aspecto mais brilhante (como eu disse, ela é muito rústica) e ela dá um tipo de "selamento" também, evitando que saiam cascas e farelo.

Depois de ter feito o muro, eu parti pro Durepox. Mas é importante dizer que eu não queria usar essa massa, eu queria usar alguma massa que fosse própria para essa finalidade mas descobri que todas elas precisam assar no forno. No final das contas, o Durepox não foi tão difícil quanto imaginei que fosse. Basta ter muita paciência.




Essa parte eu relutei muito pra fazer, pois significava alterar os bonecos que foram enviados pra mim com massa super-dura. Mas eu respirei fundo e pensei, "Esse é o único jeito de alcançar o resultado que eu quero". Eu queria criar mais expressão nos personagens, então eu refiz o rosto deles por cima da modelagem 3D.

No caso específico da cadelinha foi ainda mais difícil pois eu mudei o focinho dela um pouco. Eu não tinha a intenção inicialmente mas quando eu risquei os olhos dela com estilete, eu percebi que não estava conseguindo alinhar eles com o focinho. Ficava sempre muito estranho então me veio uma luz e eu pensei: "Preciso LEVANTAR o focinho dela um pouco!". E assim eu fiz. Ao refazer o focinho dela mais empinado, o rostinho dela ficou mais equilibrado com os olhos. Feito tudo isso, passei a massa no corpo dela inteiro e me deparei com outros desafios.

No final das contas, eu queria revestir a cadelinha com massa para poder criar o pêlo, mas acabei aumentando a cauda, as patas e a mochila também!





Já o Rick o problema estava relacionado com o espaço para criar a boca dele.

Esse espaço... Quase não existia! Eu entrei em desespero. Como iria desenhar uma expressão nele?

Então decidi que passaria a massa durepox no rosto inteiro dele, seguindo cuidadosamente o modelo 3D, mas quando chegasse na boca, eu iria alterar o contorno da barba para que tivesse mais espaço pra boca. Dessa forma eu fiz uma modelagem em que ele estivesse meio que sorrindo de lado. Aproveitei e aumentei tanto as bochechas quanto as sobrancelhas.

Então, cobri o restante da cabeça e passei o estilete para fazer o cabelo. O mesmo foi feito na barba.

Depois de ter criado tantos detalhes na cadelinha, eu senti que precisava, pelo menos, criar uma mochila maior pro Rick. Então eu fiz os bolsinhos e os botões.

 



 Agora era hora de pintar! A parte mais divertida e mais desesperadora também.


 





Bem, chegou o grande momento... o momento de construir o cenário.

Até esse ponto, eu já havia decidido o que usar pra fazer a água: Verniz brilhante. Eu gostaria mesmo de usar a resina, mas além de muito cara, ela é tóxica (ou seja, tem que ter máscara especial para usar).

A primeira coisa a fazer era a parede. Eu comecei com argila pois eu sabia que a argila daria um bom efeito para uma parede rústica. Eu estava determinada a fazer a parede de argila então fui até o final com a ideia.






Porém eu odiei o resultado. A foto acima está sem o acabamento (que eu demorei horas pra fazer) nas bordas, mas dá pra ter uma ideia do resultado. Pior que isso, eu fiz 2 muros achando que daria certo pra final jogar fora!

Mas eu já sabia o que faria para o muro antes de jogar o muro de argila fora. Faria tudo com estilete, isopor, tinta e grama artificial.

Comecei cortando o isopor no sentido que eu queria o muro. Eu até ia fazer tijolos mas depois me dei conta de que já haviam tijolos na mureta (a de argila) então resolvi fazer essa "madeira". Depois risquei os defeitos dela, para dar a impressão de muro destruído.


Depois eu apliquei a grama artificial misturada com tinta acrílica verde e tinta marrom + cola. Depois eu imprimi um poster dos The Fireflies e colei (eu queria ter colocado mais coisas nesse muro mas estava sem idéias).



A etapa final eu esqueci de fotografar o processo. Mas basicamente eu revesti a base do diorama com durepox para que eu pudesse derramar o verniz da água.

Feito isso, eu colei os bonecos na base, pintei o fundo de verde e adicionei as sujeiras (que são basicamente grama sintética de maquete mesmo).

Ah! É importante dizer que eu utilizei muito uma esponja de lavar louça para criar sujeiras também.

A última coisa que foi adicionada foi a água.

Resultado!





Para a entrega deste projeto foi gravado um vídeo! Recomendo muito assistir pois dá pra ver bem detalhadamente com uma qualidade bem melhor!



É isso! (✿◠‿◠) 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Artemisia Gentileschi

Este texto é uma tradução adaptada livremente por mim. O original pode ser visto aqui.



rgfellows
Para aqueles que não sabem, a artista barroca Artemisia Gentileschi é a autora.

Gentileschi foi uma pintora mulher em uma época em que era improvável para uma mulher ser um artista. Ela conseguiu a oportunidade para treinar e eventualmente conseguiu um emprego porque seu pai, Orazio, já era um mestre pintor bem estabelecido, e era muito insistente quanto a ela obter formação artística. Ele, aparentemente, viu um alto grau de habilidade em algumas obras de arte que ela fez como um hobby na infância. Ele era muito favorável a ela e encorajou-a a resistir à "atitude tradicional de submissão psicológica, lavagem cerebral e a inveja de seu talento óbvio."
Gentileschi tornou-se extremamente bem conhecida em seu tempo para a pintura de figuras femininas em sofrimento da Bíblia. Por exemplo, a que está acima retrata a história do livro de Daniel. Susanna está banhando-se em seu jardim quando dois velhos começam a espioná-la nua. Quando ela termina, eles a deteram para dizer-lhe que eles vão contar a todos que a viram ter um caso com um jovem (ela é casada por isso este é um crime punível com a morte), a menos que ela faça sexo com eles. Ela se recusa, eles espalham a história, e ela vai ser condenada à morte quando o protagonista do livro (Daniel) impede.
Então, essa pintura acima? Essa foi a sua primeira pintura principal. Ela tinha DEZESSETE ANOS DE IDADE. Para vocês se contextualizarem, esta é uma pintura da mesma história que Alessandro Allori fez apenas quatro anos antes, em 1606:


Uau. Isso não se parece com uma mulher sendo ameaçada com uma escolha entre morte ou estupro. Então, imagine Artemisia, de 17 anos, tentando retratar em uma pintura a cena de uma mulher sendo agredida. Na imagem em preto e branco, Kathleen Gilje fez uma interpretação da pintura. Uma mulher em estado de horror, uma angústia grotesca, segurando o que parece ser uma faca em sua mão fechada. As mulheres, em pinturas mais antigas, não podem ter um olhar grotesco. A agressão sexual não pode ser descrita como horrível. E as mulheres definitivamente não podem ser vistas como tendo potencial para lutar e se defender. Certamente não em obras de arte. As mulheres precisam de ser suaves. Elas precisam esmurecer perto de seus captores, mas ainda ficarem bonitas e serem donzelas em perigo. Artemisia fez uma representação mais apropriada da cena do que Allori, mas Kathleen Gilje a adaptou de uma forma ainda mais dramática em 1998.

O que é interessante notar é que ela, eventualmente, se sentiu presa e limitada com algumas de suas próprias representações menos tradicionais das mulheres. No entanto, isso é mais interessante com contexto.

(Aviso: referência ao estupro, tortura e imagens de pinturas que mostram a violência e sangue.)

Assim, a história de Gentileschi continua no ano seguinte, 1611, quando seu pai contrata Agostino Tassi, um artista, para ser seu tutor particular. Foi nesse momento em que Tassi a estuprou. Ele então passou a prometer que se casaria com ela. Ele ressaltou que, se ela se casasse com um homem que não foi o "dono" de sua virgindade, então sua vida estaria arruinad. Usando isso, ele emocionalmente a manipulou para manter relações sexuais com ele, mas ele acabou se casando com outra pessoa. Horrorizada com o rumo dos acontecimentos, ela procurou seu pai. Orazio não quis tolerar essa merda e levou Tassi para a Justiça. Naquela época, o estupro não era tecnicamente uma ofensa para justificar um julgamento, mas o fato de que ele tinha tomado a sua virgindade (e, portanto, tecnicamente "danificado propriedade de Orazio". Ugh.) fez com que o julgamento continuasse. Durou 7 meses. Durante este tempo, para provar a verdade de suas palavras, Artemisia se submeteu a exames ginecológicos invasivos e até foi questionada via tortura. Também foi descoberto durante o julgamento que Tassi estava planejando matar sua atual esposa, ter um caso com a irmã dela e roubar uma série de pinturas de Orazio. Tassi foi considerado culpado e foi condenado a uma pena de prisão de .... UM. ANO. Que ele nunca cumpriu, porque a sentença foi anulada.

Durante este tempo e um pouco depois (1611-1612), Artemisia pintou sua obra mais famosa, Judite Matando Holofernes. Esta história da Bíblia envolveu Holofernes, um general assírio, que levou tropas para invadir e destruir Betúlia, o lar de Judite. Judite decide lidar com este problema e se aproximou do general, flertando com ele e deixando-o com a guarda baixa. Ofereceu comida e muito vinho. Quando ele dormiu, Judite, com a ajuda da criada, pegou uma espada e cortou a cabeça dele. Problema resolvido. O assunto era muito popular para a arte na época. Aqui está uma versão da cena pintada em 1598-99 por Caravaggio, que foi uma grande influência de Artemisia:



Esta representação é um bom exemplo de como esta cena foi descrita tipicamente. Artistas frequentemente tentavam desassociar Judite da violência real do ato (de tê-lo cometido). Desta forma, eles poderiam evitar a perda da moral da personagem e também evitariam mostrar uma mulher cometendo tal agressão. Então, aqui vemos uma jovem Judite de olhar delicado usando um vestido puro e branco. Ela delicadamente assassina esse homem enorme e parece bastante enojada e contrariada por ter que fazer isso. Agora, este é o de Artemisia:



Caralho. Isso é uma cena totalmente diferente. Holofernes não se parece com um cara que está surpreso pelo que está acontecendo e sim um homem engasgado em seu próprio sangue. O sangue aqui é um vermelho menos brilhante que o retratado por Caravaggio mas de alguma forma soa mais repugnante. Parece mais real e jorra de uma forma muito menos estilizada do que o de Caravaggio. Para não mencionar, Judite aqui está longe de ser afastada de sua violência. Ela está colocando seu peso físico neste ato. Suas mãos (com aparência muito mais fortes do que as representações femininas na arte) estão trabalhando duro. Seu rosto também é completamente diferente. Ela não parece necessariamente incomodada, mas sim determinada.

Também vale a pena notar que a criada está agora envolvida na ação. Vale a pena notar porque, durante seu julgamento de estupro, Artemisia afirmou que ela havia gritado por ajuda durante o estupro inicial. Especificamente, ela tinha pedido ajuda para a inquilina de Tassi, Tuzia. Tuzia não só ignorou seus gritos de socorro, mas ela também negou todo o acontecimento. Tuzia tinha sido uma amiga de Artemisia e na verdade era uma de suas únicas amigas do sexo feminino. Artemisia se sentiu extremamente traída, mas ao invés de se voltar contra seu próprio gênero, este acontecimento incutiu-lhe a profunda importância das relações femininas de solidariedade entre as mulheres. Isto pode ser visto em algumas das suas obras, e eu acredito que no de cima, também, com a inclusão da criada no ato.

Além disso, é importante falarmos de Artemisia nos dias de hoje.

Naquela época e ATÉ hoje, há pessoas que argumentam que Artemisia teve muito auxílio de seu pai... Como se ele tivesse ajudado ela a pintar ou tivesse pintado tudo ele mesmo. Porra, há uma série de obras que só recentemente (passado vários anos ou mais) foram oficialmente atribuídas a Artemisia, porque as pessoas originalmente viam a assinatura "Gentileschi" e automaticamente atribuíam a Orazio. Assim, Artemisia Gentileschi não apenas foi uma artista maravilhosa e uma personagem histórica incrível, mas eu não posso ignorar que existem pessoas que, 400 anos depois, ainda não dão o crédito que ela merece, só porque ela é uma mulher e, obviamente, as mulheres não podem pintar como ela o fez.