segunda-feira, 9 de abril de 2018

Conhecendo Mana-sama em Seattle


Entre os dias 31 de Março e 1 de Abril aconteceu em Seattle, WA, o evento Sakura-con. Mana-sama foi um dos convidados especiais e por causa disso eu decidi ir. 

Sobre o evento 

No dia 29 de Janeiro foi anunciado na página oficial do Sakura-con que Mana seria um convidado especial. Em seguida, foi anunciado que haveria um desfile da Moi-même-Moitié e um Teaparty oficial com o Mana. No evento, seriam realizadas duas sessões de autógrafos: uma sábado e uma domingo. Aconteceria também o desfile e um painel de perguntas e respostas. Fora do evento, seria realizado o teaparty, em um salão de um hotel chamado Grand Hyatt, na qual Mana ficou hospedado. Para acessar o teaparty, algumas exigências foram feitas: ao menos 1 peça da Moitié teria que ser usada, era proibida a entrada de cosplays e você necessariamente tinha que ter o ingresso do Sakura-con. Esse teaparty foi o primeiro oficial realizado pela Moi-même-Moitié!

Wunderwelt no Sakura-con
A Wunderwelt, que agora administra a Moi-même-Moitié, possuía um stand na área de compras do evento. O stand era bem modesto e pequeno, com apenas 2 araras contendo pouquíssimas coisas à venda (de variadas marcas lolita), 1 manequim contendo o mais recente vestido da Moi-même-Moitié e acessórios à venda no balcão (os da MmmM esgotaram no mesmo dia que o stand abriu). Nesse balcão havia também um quadro branco com uma mensagem escrita pelo Mana... Não tirei foto (pois sou burra), mas era um agradecimento e a assinatura "Mana".

Mana no stand da Wunderwelt apresentando os vestidos novos!
 Atrás dele, o balcão aonde era possível ver acessórios à venda. 
Fonte: Instagram/Facebook Moi-même-Moitié

Os vestidos novos da Moitié não estavam à venda. Na verdade, eram apenas para exibição. A pré-venda desses vestidos poderia ser feita pela internet a partir do dia 1º de Abril. As duas mulheres que eram staffs da Moitié (uma japonesa e a tradutora do Mana, que é a representante da marca no ocidente e cuida da página oficial do Facebook) estavam usando esse vestido, cada uma de uma cor, durante suas aparições ao lado do Mana. A pré-venda pode ser realizada através desse link, mas infelizmente para nós brasileiras o custo continua alto, considerando que a conversão para nossa moeda ultrapassa mil reais, fora a taxa alfandegária de 60%. 


Bem, não vou falar sobre a sexta-feira por enquanto porque praticamente não fiquei no evento!

Sábado, 31 de Março

 
Esperando o Uber para o evento!

No sábado iríamos assistir ao desfile, pegar autógrafos com o Mana e participar do painel de perguntas e respostas. Tudo isso tomou praticamente todo meu tempo e mal pude ver os stands. Mas o pouco que pude ver deu pra notar a grande diferença em relação ao Brasil: todos os produtos são oficiais e licenciados. Além disso, é muito forte a cultura de usar roupas medievais ou baseada em fantasia medieval, então haviam stands de jóias élficas e muita roupa de época masculina e feminina. Esses stands eram numerosos e grandes, com enormes araras e manequins com as roupas.

 



Começando o dia: Stand da Wunderwelt e Moi-même-Moitié Fashion Show 

Encontrei-me com minha amiga Cindy (que foi do Canadá para Seattle ver o Mana também) e o marido dela, Travis. Lucas (meu marido) estava comigo e nós quatro fomos para a fila do desfile. Atrasou uma meia hora para começar e foi bem chato... mas paciência. O local era um auditório grande equipado com um palco e uma passarela, dois enormes telões laterais, fotógrafos e cinegrafistas, fora a câmera fixa que ficava no alto de frente para a passarela. O primeiro desfile foi de um designer que eu desconhecia cujas roupas são bem fofinhas, apesar de 'normais', comparado com lolita. Após o desfile, o designer apareceu no palco para agradecer e saiu. As luzes abaixaram e um staff disse ao microfone, não com essas palavras, obviamente: "Escutem aqui seus arrombados, a partir de agora é proibido foto nessa caralha, do contrário vocês lolitinhas fangirls serão expulsas daqui, escutaram? Abaixem essas porras desses celulares, não façam nenhum tipo de gravação ou foto." Com esse recado, sabíamos o que viria em seguida. Eu achei que o Mana ia aparecer nessa hora e comecei a ficar emocionada, mas as modelos entraram primeiro. O desfile começou com as modelos usando roupas antigas (porém nem tanto) da Moi-même-Moité que obviamente sequer estavam à venda (rindo de nervoso). Era um desfile unicamente para divulgar e enaltecer a marca e o próprio Mana porque nem o vestido novo apareceu no desfile. Mas quem liga?! Foi lindo ver as roupas na passarela e as modelos eram todas maravilhosas. Inclusive, uma das modelos não era branca!

Foto: Facebook Moi-même-Moitié
Foto: Facebook Moi-même-Moitié

Foto: Facebook Moi-même-Moitié

Passado o desfile, quem vem ao palco? Sim, ele mesmo. Foi a primeira vez que pus meus olhos nele. Andando do jeito que ele sempre anda, vindo do fundo do palco, Mana-sama apareceu para reverenciar e agradecer a platéia. Eu estava muito ansiosa no começo do desfile com a expectativa dele aparecer, mas depois de ter visto as modelos e o desfile primeiro, eu já estava mais calma. Portanto, nesse momento, eu estava muito feliz, mas estava conseguindo conter minhas emoções tranquilamente. As plataformas pareciam mais altas do que as que ele usa em shows e a luz de palco fez esse homem reluzir como um anjo!

Foto: Twitter @M_d_M_official

Neste dia também fomos no stand da Wunderwelt após o desfile.

Cindy e eu (meio) com duas staffs que estavam trabalhando no stand

Autógrafos


Poucas horas após o desfile, foi a vez dos autógrafos. Era expressamente proibido ficar no local das filas mais de meia hora antes do evento. Exemplo, se o evento é as 14:00, as filas começam a ser formadas as 13:30. Qualquer horário antes de 13:30 você não pode aparecer no local da fila. A gente tentou ficar na fila faltando 40 minutos para os autógrafos e os staffs não apenas falaram para saírmos como também se recusaram a informar aonde a fila seria formada (o local era grande e haviam várias filas simultâneas para diferentes coisas). Na fila encontramos várias pessoas e conversamos com bastante gente, dentre essas pessoas, algumas modelos do desfile. Uma dela nos disse que o Mana conversou no backstage do desfile e enfatizou que a voz dele é bem menos grave do que nos vídeos do Malice Mizer que conhecemos. Ela disse que a voz dele tem um tom um pouco mais feminino!

Antes da fila de autógrafos começar ficávamos nessa área, aonde já haviam várias lolitas esperando

Fila dos autógrafos!

Linda família da fila de autógrafos, reparem o mini Gackt!

Cosplayer de Mana
Cosplayer de Mana Moi dix Mois
Antes de Mana nos agraciar com sua presença e o seu caminhar ereganto, foi avisado que não poderíamos tirar fotos ou filmar. Mana apareceu com seus staffs, a tradutora e a japonesa sempre presentes, e caminhou a uma certa distância da fila em direção à mesa que faria os autógrafos. Minha vez de pegar o autógrafo ia aproximando e eu fui ficando meio emocionada. Chorei um pouquinho quando vi que estava perto dele e que muito em breve iria vê-lo de pertinho e pegar na mão dele. Lucas estava comigo e pegou um autógrafo para mim também, assim como o Travis, marido da Cindy, também pegou um autógrafo extra pra ela. Eles estavam super emocionados, sqn. rs 

Eu levei para Mana autografar o meu fichário da Mon+amour, de quando eu era do fã-clube. Eu queria que ele assinasse a primeira página (uma página em branco, com logotipo do fã-clube), mas o arrombadinho pegou o fichário da minha mão e simplesmente assinou no próprio fichário, na parte de dentro. Eu entrei em choque, como poderia corrigí-lo?! Bem, obviamente eu não falei nada. Enquanto tudo isso acontecia eu ficava olhando atentamente para o rostinho dele. Ele me devolveu o fichário, apertou minha mão e eu saí. Nos meus poucos segundos na frente dele, pude reparar alguns detalhes que não foram possíveis de notar com a luz de palco do desfile. 

Primeiro, o nariz dele é maior do que parece em fotos (talvez porque a gente esteja muito acostumado a ver o nariz dele quase invisível nas fotos). Ele é bem narigudinho. A pele em torno das narinas é um pouco funda, coisa da idade mesmo, e enquanto eu observava ele cumprimentar as pessoas na minha frente na fila, notei que ele mexia um pouco os lábios, e nisso algumas rugas em torno da boca apareciam. Ele sempre apertava a mão das pessoas e fazia um sinal de "sim" com a cabeça, como quem está agradecendo, e nisso ele apertava um pouco os lábios. Pasmem, a pele dele tem poros (!!) e ele usa MUITA maquiagem, não possui nenhuma protuberância ou buraquinho. Tirando a pele em torno das narinas e boca, eu não consegui notar nenhuma outra marca no rosto dele. O homem realmente tem uma beleza natural na qual não podemos apreciar totalmente porque ele não sai nem fudendo da persona.

Meu fichário da Mon+amour



Muita gente saía desses autógrafos bem emocionado, às vezes abraçando o item autografado (vi muitas Gothic&Lolita Bible), as vezes tentando disfarçar lágrimas. Foi muito perceber isso. Eu mesma saí de lá extasiada, me sentindo absolutamente plena e abençoada rs. Tinha uma moça que agachou para chorar e eu tentei acalmá-la pois parecia até que ela ia passar mal...

Selfie do dia 31 de Março. Fonte: Twitter @M_d_M_official


Painel de Perguntas & Respostas

Após os autógrafos, teríamos um tempo antes do painel de perguntas e aproveitamos para comer. Depois, mais uma fila, dessa vez para o painel. E novamente houve atraso para começar. Esse atraso foi particularmente ruim pois organizaram a fila com todo mundo junto, tipo um zigue-zague, e o local ficou bem quente. Eu não estava me sentindo bem (mistura de cansaço, dor de cabeça, calor) e cada segundo que passava em atraso era tortuoso. Eu até cheguei a mandar um tweet pro Mana pedindo pra ele andar logo porque meus pés estavam doendo (mas depois apaguei) rs. Entramos na sala aonde seria o painel e as duas staff da Moi-même-Moitié (não eram as duas com a gente na foto, essas eram do stand da Wunderwelt) estavam lá, a japonesa e a representante da marca no ocidente, além de um japa que parecia quarentão bem estiloso, de cabelo compridinho/médio, que não falou um A, apenas ficou sentado na cadeira ao lado da cadeira que seria do Mana. Teria eu pensado que aquele é o namorado do Mana? Talvez. 

Antes do Mana entrar, o público poderia fazer perguntas ali mesmo para as staffs sobre a marca em si. Algumas perguntas que foram feitas:

Vocês pretendem relançar sapatos?
Resposta: Temos planos, mas precisamos primeiramente ver um fabricante que seja bom o suficiente.

Vocês pretendem lançar roupas maiores?
Resposta: Estamos planejando isso aos poucos. Por enquanto, o mais recente lançamento terá tamanho G. (neste momento a staff falou sobre medição de tamanhos, não lembro os detalhes). Não podemos por enquanto prometer nada. Além disso, entrar em um vestido não significa necessariamente que ele serve, mas estamos aos poucos melhorando, mas por enquanto pedimos paciência sobre esse assunto.  (a staff falou isso mas no fundo eu entendi uma mensagem mais dura: não temos planos de lançar tamanhos grandes e se enfiar num vestido não quer dizer que ele te serve).

Bem, quando visitei o stand da Wunderwelt (da foto lá em cima segurando o logo da Moitié) eu deixei 3 perguntas para o painel. Foram elas:

1 - Você tem planos de lançar um novo álbum?
2 - O que você acha de lolitas que possuem tatuagem?
3 - Quando o Moi dix Mois vai fazer um show dos Estados Unidos?*

*Não perguntei Brasil porque fiquei com medo dele falar "Não tenho planos" bem na frente da minha salada.

Passada a parte de perguntas livres às staffs da Moitié, é anunciado que a plebe (nós) não podíamos tirar fotos e nem filmar. Quem tava chegando?? Bem, obviamente o esquema foi aquele que já conhecemos. Uma staff selecionava as perguntas (lendo previamente) e passava para a tradutora do Mana, que falava pra ele em japonês, que respondia no ouvido dela. Não ouvimos um pio da criatura, como era de se esperar.

E aí, para minha surpresa, ele respondeu todas as perguntas! Eis as respostas (de memória minha, viu?):
1 - Você tem planos de lançar um novo álbum?
"Eu não estava planejando gravar algo por agora mas estando aqui e vendo a empolgação das pessoas me faz querer entrar no estúdio assim que voltar pro Japão."

2 - O que você acha de lolitas que possuem tatuagem?
"Se for uma tatuagem relacionada comigo, eu fico muito feliz. Mas se não tiver nada a ver comigo, eu não tenho uma opinião a respeito."

Nesse momento a tradutora perguntou se alguém possuía tatuagem relacionada com o Mana e apenas a Cindy levantou a mão, pois ela tem uma bela tattoo do logotipo da Moitié no pulso!

3 - Quando o Moi dix Mois vai fazer um show dos Estados Unidos?
"Estou muito feliz por estar aqui então gostaria de poder fazer um show nos Estados Unidos em breve!"

Claro que houveram outras perguntas, vou citar aqui as que eu lembro.
Qual sua música favorita do Malice Mizer? E álbum?
"A música é Bel Air e o álbum é o Bara no Seidou."

Qual sua música favorita do Moi dix Mois?
"Por ter sido a primeira música que fiz, é Dialogue Symphonie."

Qual a sua maior conquista da vida?
"Quando o Malice Mizer fez o show do Bara no Seidou, nós fizemos a maior estrutura de um show já realizado até então naquele lugar. Essa foi minha maior conquista."

Quais são as suas influências?
"Nos anos 80 eu escutava muito Motley Crue e Slayer."

Você tem alguma inspiração (para compor, criar etc)
"Não." (platéia ri)
"Mas cozinhar é algo que me inspira."

 O que você acha da forma como lolita evoluiu nos últimos 15 anos?
"Não tenho opinião sobre isso."

O que você acha de pessoas mais velhas que usam lolita?
"Eu acredito que não há idade para vestir as roupas, quero que as pessoas continuem a usar de forma bonita e elegante."

Você possui uma rotina de cuidados com a pele?
"Não tenho rotina de cuidado com a pele e nao uso produtos em particular."

O quão freqüentemente você corta o cabelo? Quem arruma seu cabelo?
"Eu mesmo corto e estilizo meu cabelo e eu faço assim!"
(NESTE MOMENTO ELE GESTICULA COM OS DEDINHOS SINAIS DE TESOURA NO CABELO)
(TODAS GRITAM POR DENTRO POIS É MUITO FOFO)


Cindy e eu no final do painel

Pelo que eu lembro, foi isso! Agora, algumas fotos minhas e da Cindy neste dia:

Não é photoshop disaster, meus olhos estão estranhos mesmo

Fala se não é a print mais linda da face da terra...

Cindy, rainha da porra toda, possuidora dos Iron Gate!


Esperando o ônibus no final do evento


Passado isso tudo, encerra o dia de sábado.

Domingo, 1º de Abril

Domingo seria um dia muito especial pois era o dia do teaparty da Moi-même-Moitié com a presença de vossa Excelência, o sr. Mana-sama. Antes do teaparty, no entanto, havia outra sessão de autógrafos. Mesmo esquema do dia anterior. Porém, no domingo haviam poucas pessoas. Tão poucas que o staff nos disse que poderíamos pegar autógrafo duas vezes e todo o processo não demorou mais do que 5 minutos (pegar o autógrafo, voltar na fila, pegar outro autógrafo). Eu não sei o que eu tava na cabeça mas eu não levei nada meu para ser autografado a não ser o fichário da Mon+amour, e mesmo assim no domingo não levei ele. Não tinha merchandising oficial do Mana e nem goodies do Moi dix Mois ou Malice Mizer. Eu tenho várias coisas em casa que poderia ter levado mas não levei porque: burra. Sorte que na hora eles estavam dando um mini-poster A4 e eu pude pegar um pra mim. Mana autografou, mas quando voltamos para a fila, os posteres acabaram. Na fila mesmo, antes de chegar nossa segunda vez, as pessoas usando a print Iron Gate (se você é do meio lolita você sabe mais ou menos quanto esses vestidos valem) combinaram de pedir permissão para que Mana assinasse os vestidos. Na hora H, como não haviam mais posteres, eu decidi pedir que ele assinasse, embora o vestido não fosse meu (a Cindy me emprestou o dela). No fundo fazer isso mais do que me recompensou, e vou explicar depois o porquê. 

Na primeira parte dos autógrafos, eu já estava me sentindo parça do Mana. Já tinha visto ele várias (três) vezes, faltava só convidar para tomar uns refri com a rapaziada. Então eu estava super de boa nessa fila, embora no momento em que eu estava de frente pra ele, senti que iria dar um grito ali mesmo, ou fazer algo bem louco tipo pular no pescoço dele, puxar o cabelo, sei lá rs. Neste dia ele estava de preto, porém usando o mesmo batom nude do dia anterior. Os gestos foram exatamente iguais do dia anterior. Na segunda parte do autógrafo, no entanto, como eu pedi para ele autografar o forro da saia do vestido, ele teve que esticar bem o tecido para conseguir escrever. Isso demorou alguns segundinhos a mais e eu aproveitei para observar as mãos dele. Mãozonas, aliás, pois ele tem dedos bem grandes! As cutículas dele estavam um arregaço, tudo seca soltando aquela pelinha, dava uma agoniazinha. Como os dedos são grandes, as unhas também são (na largura). Tudo isso me fez pensar que Mana é, de fato, uma pessoa bem ambígua. Embora tenha uma pele muito lisa e use maquiagem, ele tem gestos muito masculinos. Eu sei que quem gosta dele já está careca de saber disso, mas antigamente ele dizia não enxergar o gênero das pessoas pois homens e mulheres são iguais para ele. Pensando mais em quando ele era do Malice Mizer e precisava performar mais, tenho a impressão que nessa época ele precisava incorporar mais o seu lado feminino, sempre se caracterizando de personagens mulheres no palco ou em clipes. Mas no Moi dix Mois ele parece ter assumido de fato a sua ambiguidade, pois ao mesmo tempo que fica à vontade com seus trejeitos masculinos, você percebe nele uma sutileza feminina, que não está apenas na maquiagem. 

Iron Gates assinados pelo Mana! Fonte: Instagram @phantasmag0rical


Nosso nenê no local dos autógrafos. Fonte Twitter @M_d_M_official

Após os autógrafos, o "Iron Gate squad"! Fonte: Instagram @artemis_argyi




Momentos após os autógrafos, a gente se dirigiu ao hotel Grand Hyatt, aonde seria o teaparty oficial da Moi-même-Moitié! O hotel ficava a uma quadra do local do evento. Fomos andando (Cindy e eu) e chegando lá já haviam algumas lolitas esperando. Todas impecáveis usando Moitié. Nunca em minha vida eu vi tanta Moitié junto... Havia uma representante da Kera, que tirou fotos individuais de todo mundo. Uma moça chamada Helen entrou em contato conosco antes do Sakura-con para pedir fotos e depoimentos sobre o Mana. Ela estava no teaparty e nos mostrou o trabalho dela: um lindo scrapbook contendo nossas fotos e depoimentos. Ela entregou para a tradutora do Mana antes que ele chegasse ao salão, para que ela entregasse pra ele. E ela entregou!

Com atraso, o checkin do teaparty foi feito. Entramos no salão e haviam mesas redondas com espaço para dez pessoas cada. Infelizmente não tirei muitas fotos (apesar de poder, porque Mana ainda não havia chegado) por alguns motivos simples. O primeiro deles é que eu me sentia muito deslocada. As lolitas estrangeiras são todas muito simpáticas, mas muitas deles possuem um ar esnobe que faz qualquer pessoa feito eu se sentir inferior. Para quem já tem complexo de inferioridade nível "Não consigo ir à meetings nem no Brasil", isso é bem desanimador. Não é culpa de ninguém - é apenas a minha percepção pessoal, a de que eu não pertenço ali. Todo mundo falando inglês naturalmente e eu não consegui falar uma palavra, por vergonha, medo de errar, não conseguir formular frases, esquecer vocabulário e tempos verbais, ou às vezes só por simplesmente não entender o assunto da mesa. O evento começou exaustivo para mim e eu tive a impressão de que sem querer acabei prejudicando a Cindy nesse sentido, pois ela me acompanhou o tempo todo. 

Mas enfim, feito o checkin, entramos no salão, as mesas estavam decoradas com velas grandes enfeitadas com fitas da Moi-même-Moitié. Havia um buffet com chás variados, café, leite e 4 tipos diferente de comidas cujos nomes não vou lembrar, mas eram doces e salgados. A gente pegou nossos pratinhos e colocamos nossas comidinhas, momentos depois de começarmos a comer foi anunciado que Mana entraria no salão. Ele entrou em zigue-zague passando pelas mesas. Pra mim foi um momento um pouco awkward pois fez-se um silêncio profundo na sala e ele apenas andou até a sua própria mesa, que ficava no cantinho do salão. Depois disso as staffs da Moitié (tradutora e japonesa) escolheram 3 meninas que elas consideraram serem os melhores outfits. As três estavam vestindo roupas muito simples da Moitié, não possuíam muitos acessórios e uma delas não tinha maquiagem. Eu e a Cindy concluímos que essas pessoas representam melhor a Moitié exatamente por isso, pela simplicidade e elegância. Não é que as outras pessoas não estivessem bonitas e pra ser sincera cada um veste Moitié como quiser, mas em termos de conceito da marca, acredito que um conjunto mais simples representa mais do que um OTT, por exemplo.

Participantes do Teaparty; Fonte: Instagram @artemis_argyi

Depois, foi anunciado que Mana gostaria de nos dar algo de presente. Ele apareceu com um punhado de rosas azuis, fez uma selfie com elas, e depois levantou-se para nos entregá-las. Cada mesa seria chamada para formar uma fila na frente dele, e ele entregaria a rosa para cada participante. Você poderia, também, falar qualquer coisa para ele naquele momento. Cindy falou que ele teve grande impacto na vida dela, que fez muita diferença para ela. Habitualmente, ele fez que "sim" com a cabeça em forma de agradecimento e entregou a rosa. Eu apenas falei que era do Brasil e que gostaria de vê-lo na América do Sul um dia. Ele fez que "sim" com a cabeça e me deu a rosa rs. Em outras palavras, apesar do momento ser muito emocionante, os gestos do Mana são padrões para toda a plebe presente ali. Ele não esboçou reações diferentes em nenhum momento.

Feito isso, ele foi para o cantinho do salão aonde pudesse ter uma visão de todo mundo e fez fotos com o seu celular. Não sei se veremos essa foto um dia...

Selfie do Mana no salão, com as rosas azuis

Participantes da minha mesa!
Minhas coisas assinadas, a rosa azul e o folder da Moi-même-Moitié que ganhamos

 

Mana vai embora...

Bem, verdade seja dita. Mana não ficou muito mais do que 20 minutos no teaparty. Se foi meia hora, foi muito. Depois que ele tirou a foto do salão, foi anunciado que ele iria se retirar do local. Ele caminhou até a porta e se despediu do mesmo jeito gestual que ele se despede em shows. Todo mundo aplaudia muito, é claro! Mas ficar ali não fazia mais sentido pra mim. Eu não sentia fome, na verdade eu sentia muito desconforto e vontade de ir embora. Não conseguia mais entender o inglês da mesa, muito menos falar alguma coisa. Comecei a sentir um pouco de medo das pessoas ali (coisa da minha cabeça) e a Cindy percebeu que eu não estava bem e perguntou se eu queria ir embora, e eu falei que sim. Nos despedimos por alto das pessoas sentadas às mesas e saímos. Fomos em direção do evento para tentarmos pegar os stands abertos. Ao chegar no evento eu imediatamente senti uma necessidade de trocar de roupa. Eu já havia mandado mensagem pro Lucas para ele levar minhas roupas normais pro evento. Quando eu o encontrei, peguei minhas roupas e corri para o banheiro me trocar. Naquele momento senti de verdade que tinha realizado meu sonho e que, mesmo com mais alguns dias para passear em Seattle, iniciou ali novamente a minha vida normal.

Lucas, meu marido lindo que, apesar de não ser fã nem do Mana e nem de eventos, me acompanhou nessa aventura
Minha amiga Cindy, que me acompanhou todo o tempo!





segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Como passei na USP e na UNESP para Artes Visuais

Este post no blog é mais um guia para quem está querendo ingressar no curso de Artes Visuais em São Paulo (USP e UNESP). Como eu tive muita dificuldade em encontrar informações específicas sobre esses vestibulares para este curso, resolvi postar para poder ajudar futuros vestibulandos ansiosos como eu.


Vestibular de Artes Visuais da USP

O vestibular de Artes Visuais da USP possui 3 etapas e todas as três são eliminatórias. O curso de Artes Visuais faz parte da Escola de Comunicação e Artes (ECA).


Etapa 1 - Teste de Habilidades Específicas

Esta prova é a primeira que você faz de todo o processo. Ela tem caráter eliminatório, ou seja, se você não passar, não tem direito de prestar o vestibular para Artes (a UNESP é diferente, explicarei depois). Se na sua inscrição você escolheu uma segunda opção, você irá concorrer para essa segunda opção (no meu caso foi História) caso seja reprovado nessa prova (ou falte nela). Essa prova consiste em 2 questões teóricas e 2 questões práticas e ocorre em um dia inteiro... Na parte da manhã você faz a prova teórica, há um intervalo para almoço, e à tarde você faz a prova de desenho.

Preciso saber desenhar? Tenho que ser um Picasso ou Leonardo DaVinci? O que devo estudar?

"Saber desenhar" é relativo. Mas se você quer saber se precisa dominar determinadas técnicas, a resposta é não. Basta verificar os desenhos dos alunos aprovados no curso e descobrirá que muitos possuem uma preocupação com anatomia e perspectiva, já outros são bastante abstratos. Ou seja, não há como afirmar que existe um jeito certo de fazer o desenho, você precisa desenhar aquilo que você acredita ser o ideal. Eu sei que é duro ler isso e eu sei que você quer um guia, mas essa parte realmente não tem como falar exatamente como deve ser. A única coisa que você precisa ter em mente é que a prova tem tempo para ser feita então não vai me inventar de fazer um troço super complexo que no final não vai dar tempo de terminar... Esse não é o objetivo. Não é desenho para exposição no MASP. Tenha isso em mente e faça coisas possíveis dentro da limitação de um vestibular.

Se você está lendo este post com meses de antecedência à prova, eu sugiro fortemente que visite museus e exposições. Já explico porquê.

Bom, para o vestibular de 2018 a prova foi realizada na Poli, a imagem abaixo não é do dia da prova, mas a sala era exatamente assim.


A prova teórica

Na prova teórica, você irá responder 2 questões dissertativas. A primeira questão normalmente é de teoria da arte ou algo relacionado, já a segunda é de cunho pessoal. O trecho a seguir está no Manual do Candidato 2018: 

Na prova escrita, serão avaliados o domínio do candidato de conceitos e teoria da arte e sua capacidade em relacionar artistas, obras e movimentos, como também a clareza e o desenvolvimento do texto.

Essas questões já são uma amostra do que você irá enfrentar na segunda etapa, ou seja, a capacidade de desenvolver um texto claro e coeso, além dos conceitos de teoria da arte. No Manual também há uma bibliografia, se você tiver tempo para dar uma olhada é o ideal. No meu caso tudo foi muito corrido. Eu decidi prestar vestibular já era Agosto e precisava correr atrás das matérias, então deixei pra estudar pras Habilidades faltando duas semanas.

Eu me baseei muito nas provas antigas então resolvi estudar somente vanguardas européias e arte moderna. Também estudei bastante sobre arte moderna no Brasil pois este assunto sempre cai pelo menos na UNESP. Com a polêmica do Queermuseu, eu acabei dando um foco para Lygia Clark e neoconcretismo, mas acabou que não caiu.

Se você não teve tempo ao longo da sua preparação para visitar museus e exposições, é extremamente importante que você ao menos veja vídeos de análises de obras no Youtube. Eu recomendo muito o canal da Patrícia Camargo, ela é ótima para falar de movimentos europeus. Sobre os brasileiros, você vai ter que se esforçar mais, mas tem muitos documentários (alguns bem antigos) no Youtube e sites como do Itaú Cultural (que inclusive estão na bibliografia do Manual) que tem textos muito bons.

Mas moça, pelo amor de Deus, é texto demais, não sei o que ler! 

Se você não pensou a frase acima... bem, eu pensei. E eu quebrei muito minha cuca para filtrar o que eu ia estudar. Lembre-se que História da Arte também cai na prova geral do vestibular! Eis aqui alguns tópicos gerais que talvez possam te ajudar:

Vanguardas Européias
Semana de Arte Moderna no Brasil
Arte Moderna no Brasil
Arte Urbana
Arte Contemporânea

 A pergunta teórica
A prova provavelmente não vai te fazer perguntas simples como "Qual o contexto da obra Guernica e quem a pintou?". Não. Por isso é importante assistir análises e criar um certo senso crítico, pois a prova vai querer que você relacione assuntos ou comente a importância disso ou daquilo para um determinado contexto. Por isso eu falei acima o quão importante é você estar a par de análises de obras, pois as perguntas da prova não são tão óbvias. Mas não se desespere: Se você gosta do assunto (e imagino que goste, considerando o vestibular que irá prestar), o fato de estar analisando obras de arte vai ser muito natural. Tirando algumas crises de ansiedade que me atrapalharam muito devido ao pouco tempo que eu tinha, eu gostei bastante do meu tempo gasto estudando história da arte.

Bem, aqui alguns exemplos das perguntas:

2015
Comente a importância do autorretrato como forma expressiva e dê exemplos de artistas que os produziram, analisando as principais carcterísticas desses trabalhos e sua relevância na história da arte.

2016
Na primeira metade do século XX alguns movimentos atísticos incorporaram à criação da obra de arte elementos provenientes do mundo onírico e do inconsciente, permitindo a muitos artistas explorar um imaginário oculto que a psicanálise começara a investigar no final do século XIX. Comente a importância destes movimentos na história das artes visuais (como também em outras linguagens, se for do seu conhecimento) e discuta artistas e obras importantes a eles ligados.

 A pergunta pessoal 
A segunda questão da prova sempre é uma pergunta pessoal. Aí não tem jeito. Novamente, é necessário você ter estudado análises ou visitado museus, porque mesmo que a pergunta seja algo que você não vivenciou ou não consegue explicar, se as análises de obras de arte (que você não pôde ver ao vivo, digamos assim) causaram algum impacto em você, ainda que pela tela do computador, você consegue escrever. Eu, particularmente, escrevi uma fanfic na prova de 2018 (irei explicar ao final do post, junto com o meu desempenho).

Alguns exemplos:

2015
Quais as relações que você vê entre arte e cidade e quais os artistas que tiveram uma atuação importante no espaço cidade, tanto no passado quanto no presente?

2016
Cite referências importantes de sua experiência pessoal com obras de arte e manifestações artísticas, e comente aquelas que lhe proporcionaram uma vicência marcante. Discorra, a partir dessa sua experiência, sobre a importância de se estudar a linguagem artística na universidade.

A prova prática

Você irá receber duas folhas Canson A3 e folhas sulfite A3 para rascunho. No entanto, se você produzir seu Picasso na folha sulfite, pode indicar para o corretor que o desenho a ser analisado é aquele, ao invés da folha Canson. Quanto a isso as coisas são bem tranquilas, se você errar algo pode escrever para desconsiderar ou que aquilo é rascunho. Se você acredita que todas as folhas dadas a você devem ser avaliadas na correção, também pode indicar isso por escrito em algum cantinho. Eu estava com meu pulso quebrado e fui indicada pelo fiscal a anotar isso na minha prova. Escrevi no cantinho "Desenhos feitos com pulso quebrado e com dor", para que o corretor levasse isso em consideração também.

Trecho do Manual do Candidato 2018:

 Na prova prática será considerada a capacidade do candidato de criar uma representação visual, sua compreensão das relações espaciais, o uso dos materiais e organização do espaço construído, as qualidades construtivas/expressivas da linguagem gráfica.

Ainda que você tenha alguma experiência com desenho, ressalto mais uma vez a importância de ter estudado ao menos alguma análise de obras pois isso pode te ajudar muito na hora de elaborar a sua obra-prima-do-vestibular, especialmente se você estiver preso a estilos como mangá e HQ. Você não precisa ser nenhum especialista, mas ter alguma noção de técnicas e estilos vai te ajudar demais, te garanto. Eu recomendo estudar um pouco de técnicas que você pode aplicar usando grafite e lápis de cor. Eu utilizei a técnica de pontilhismo com lápis de cor e acredito que isso pode ter me ajudado.

Exemplo:

2015
1- Numa das folhas de papel Canson, faça um autorretrato de memória ou de observação (neste último caso, das partes visíveis do seu corpo). Você pode realizar esse trabalho a partir de um único ou de diferentes pontos de vistas e pode também utilizar todos os materiais de desenho solicitados, conforme sua escolha pessoal.
2- Na folha de papel Canson remanescente faça, a partir dos recortes trazidos, uma colagem que também poderá ser combinada com desenhos (a escolha é sua). Esse trabalho deve ser o projeto de uma intervenção artística em um espaço qualquer da cidade que você escolher.

Desenhos de aprovados 2015 (clique para ampliar)












Passei na prova teórica, agora vem a prova geral

Etapa 2 - Primeira Fase

Então você viu o seu nome na lista de aprovados da prova de habilidades específicas, que bom, né? Mas não comemore ainda pois você tem bastante chão pela frente. Agora você precisa enfrentar a famosa primeira fase da Fuvest. Se você acha que vestibular de artes é fácil e não precisa estudar, lembre-se que de 800 pessoas que se candidataram para esse curso, apenas 30 vão entrar nele. Então desce do seu pedestal e vá estudar, especialmente as matérias de Humanas. No vestibular de 2018, eu comecei a estudar em Agosto. Fiz o Cursinho da Poli para ter algum suporte, uma vez que eu tinha 30 anos e formei no ensino médio em 2004.

Sobre o cursinho pré-vestibular (Cursinho da Poli - privado)

O cursinho tem ótimos professores. O material, por outro lado, não é muito completo, então você tem que correr atrás de muita coisa. Mas foi estudando as apostilas do cursinho é que eu escrevi dezenas de folhas de resumo, me ajudando a fixar o conteúdo, sempre complementando com vídeo-aulas do Youtube e exercícios de vestibulares passados. 

Infelizmente, o cursinho também tem seus problemas. Deslocamento, custo com mensalidade, alimentação e transporte e, principalmente, alunos que adoram rasgar dinheiro e vão pra aula para conversar. É péssimo. Em função disso, no último mês de aula eu simplesmente parei de frequentar (indo apenas às quartas para as aulas de geografia do professor Alexandre e do professor Décio, que são absolutamente imperdíveis). Eu paguei a mensalidade mas não ia à aula porque estava muito estressada com a chegada da prova e muitos alunos do cursinho não calavam a p*** da boca, o que agravava o meu estresse e ansiedade. Pedir a eles para fazerem silêncio e respeitar a aula foi algo que fiz várias vezes, mas todo dia era a mesma coisa. Estresse prejudica muito a fixação de conteúdo. Aliás, o estresse e a ansiedade foram meus grandes inimigos nessa fase de vestibular, tomem cuidado com isso.

Todos os cursos da USP ficam com 2 a 3 candidatos por vaga após a primeira fase. Em 2018, foram 19,6 mil candidatos disputando 8,4 mil vagas. Artes Visuais foram 74 pessoas correndo atrás de 30 vagas.



Convocados por vaga

Pontos dos convocados

2,47

Mínimo

Máximo

45
73
 


Caralho, passei pra segunda fase. Estou quase lá... 

...e é nessa hora que sua mente começa a te sabotar: Se eu não passar na segunda fase, terei morrido na praia. Perdido o semestre. Tudo isso que passei para chegar até aqui terá sido por nada. Puta que pariu. CALMA. Eu tenho uma boa notícia pra você: eu passei em 8º lugar SEM ESTUDAR EXATAS. É isso mesmo que você leu. Eu não estudei exatas. Porque? Simplesmente porque não dava tempo mais de aprender exatas, então eu FRITEI em cima de Geografia e História. Literalmente. Passei meus dias fazendo resumos e resolvendo exercícios de Geografia, História e, CLARO, PORTUGUÊS NÉ. Não ignora Português pelo amor de DEUS! Inglês felizmente eu já sabia.

Etapa 3 - Segunda Fase

Depois de conferir o gabarito da primeira fase, caso você tenha notado que está na segunda, meu querido, este é o momento em que você vai fritar na cadeira de estudar. Eu acredito que nesse intervalo entre a primeira e a segunda fase é que se separa o joio do trigo: aqueles já certos de que estão dentro e relaxaram com certeza não terão condições de passar no vestibular. Aqueles que se turbinaram e decidiram que agora é a hora, vão aproveitar cada momento possível para fazer exercícios e revisar tudo o que puder para fazer uma boa prova dissertativa. Tudo isso, claro, considerando que esses candidatos aprovados pra segunda fase possuem infra-estrutura e saúde mental para enfrentar tudo isso, afinal de contas não estou  fazendo ressalvas da situação socioeconômica e mental de cada um. Eu sei que pessoas que se esforçam também não passam, mas tenha em mente que a minha mensagem é que, se você não estudar direito e espera passar mesmo assim, acho melhor parar de se iludir. E se você passou sem estudar muito é porque com certeza alguma base do conteúdo você já possuía, algo que não era verdade para mim, que estava absolutamente desesperada para assimilar a maior quantidade de conteúdo possível.

Bem, como você deve ter lido acima, eu não estudei exatas. Então sim, dá pra passar na USP para Artes Visuais sem ter aprendido progressão geométrica, balanceamento de equações e mecânica. Mas se você escolher esse caminho, você precisa assumir seu compromisso com as matérias de Humanas. Não vá falhar com elas! A Literatura também é muito importante, então faça-me o favor de ler os livros ou, pelo menos, se enterrar nas análises e resumos deles. Você quer ou não quer entrar no curso?

Vou surtar se não conseguir calcular minha Nota Final!

Pois já pode ir surtando porque você não vai conseguir mesmo. A Nota Final dos candidatos dos cursos que tem prova de habilidades depende também da nota... na prova de habilidades. E você não vai ter acesso a essa nota até sair o resultado geral do vestibular. Então pode sentar e chorar porque você vai ter que esperar o resultado final para saber se você foi bem mesmo.

Meu desempenho na FUVEST 2018

Você verá abaixo que eu optei pelo INCLUSP para ter bônus da escola pública. Apesar de ter utilizado a cota na qual tenho direito, percebi que poderia ter passado mesmo sem ela. Por isso, acredito que meu desempenho é válido também para aqueles que irão tentar as vagas de ampla concorrência.

Minha nota na Prova de Habilidades Específicas foi 75. Foi uma prova bem diferente do que eu havia estudado. Vou descrever a prova de memória, mas em breve ela com certeza estará disponível no site do CAP (Departamento de Artes Plásticas).

O tema da teórica foi "viajantes". A primeira questão perguntava como fotógrafos, pintores e outros viajantes contribuíram, entre os séculos XV e XIX, para a construção de uma identidade nacional no Brasil. Difícil, né? Eu achei difícil. A segunda questão perguntava sobre uma viagem ou passeio que você tenha feito que te inspirou a produzir arte. Essa viagem poderia ser para outra cidade, estado, país ou poderia ser um passeio na sua própria cidade também. Ficava seu critério escolher.

Minha resposta para o item 1 focou muito no eurocentrismo pois os registros do Brasil que conhecemos foi feito, claro, pelos europeus, e que isso dificulta a criação de uma identidade nacional até hoje. Minha resposta para o item 2 foi uma fanfic, infelizmente. Eu estava escrevendo sobre minha ida na Bienal mas resolvi falar que eu tinha ido pra Inhotim (nota: a prova foi antes das notícias de lavagem de dinheiro). Digamos que, sabendo que a academia é focada em arte contemporânea (obviamente) eu quis bater uma punheta pra arte moderna no meu texto e descrevi Inhotim como se tivesse ido lá, já que eu havia estudado algumas obras do local para ter conteúdo pra prova e poderia falar delas com propriedade. Pois é, eu menti, mas vestibular é vestibular, né. 

A prova prática foi autorretrato e um parágrafo do Guimarães Rosa: A Terceira Margem do Rio. Como eu sou ignorante em Guimarães Rosa eu não conhecia o conto, mas precisava ilustrar o trecho. Ele descreve a partida do pai de canoa e o seu filho o observando na margem do rio. Para dar algum diferencial pro meu desenho, eu fiz ele com pontilhismo.




Vestibular de Artes Visuais da UNESP 

O vestibular de Artes Visuais da UNESP tem 3 etapas, mas a prova específica não é eliminatória para o vestibular geral (como ocorre na FUVEST). Já começo dizendo que não fui tão bem na UNESP quanto na FUVEST e se não fosse a cota da escola pública, eu estaria em 62º da classificação geral (de 40 vagas). Então acho melhor você se esforçar bem mais do que eu, mesmo porque, as provas da UNESP são mais fáceis que da FUVEST, por isso muita gente vai bem nelas (não estou me referindo à prova específica e sim a primeira e a segunda fases).

Vale dizer também que as etapas da UNESP foram bem próximas uma da outra. A segunda fase foi em Dezembro, colado com a prova específica, enquanto da FUVEST foi só em Janeiro. Por isso a UNESP pra mim foi bem mais corrida. Mas se você está se preparando desde o início do ano, isso não será um problema.

Etapa 1 - Primeira Fase

Se você achou que a primeira fase da UNESP era fácil comparado com FUVEST, achou certo, otário! Sim, é verdade, pode descansar seu coraçãozinho ansioso. Mas isso não é motivo para relaxar, viu? Meu desempenho na UNESP foi ruim porque eu deixei pra estudar mais de última hora (não façam isso, pelo amor de deus. não deixem pra última hora) e não deu tempo de ver todo o conteúdo antes da segunda fase. Mas pra você ter uma ideia, na primeira fase da FUVEST eu fiz 49 acertos e na UNESP foram 56. Como consequência da prova ser mais fácil, a nota de corte também é um pouco maior. Porém, se você estudar bastante para essa prova, terá condições de obter uma ótima nota e ampliar suas chances de conseguir sua vaga. Não subestime a UNESP, lembre-se que além de você, muita gente também vai achar a prova fácil.

Se você não passar na primeira fase, não vai fazer o teste de habilidades específicas.

Etapa 2 - Teste de Habilidades Específicas

E aí, tenho que ser o próximo Vik Muniz para passar na específica da UNESP? 
Se você não sabe quem é Vik Muniz, volte duas casas. É isso aí. Para fazer uma prova legal na UNESP você tem que estudar artistas brasileiros. Pegue todo conteúdo de História da Arte que você tá fritando pra FUVEST, que inclui também arte moderna no Brasil, e adicione especificamente artistas brasileiros modernos e contemporâneos. Memorize obras, movimentos, nomes principais. Se der, visite exposições (sinto que estou sendo repetitiva...). Enfim, a UNESP quer de você duas respostas teóricas e dois desenhos.

A prova teórica

As primeira pergunta vai ser bem conteudista. Isso quer dizer que ela vai perguntar a você conteúdo mesmo, coisa que você tem que ter estudado. De 2016 a 2018, a primeira questão pedia para relacionar a coluna da esquerda com a da direita, sendo que em 2018 pediu pra relacionar o artista à obra correspondente. Veja a prova de 2017:

Dá um pouco de medo, né? Se você desconhece esses artistas, realmente dá um medo. A prova de 2018 foi exatamente assim, porém com outros artistas e suas respectivas obras. Eu acertei apenas um.

A segunda questão teórica pode variar. Pode ser pessoal mas pode exigir um pouco mais também. Se você olhar as provas anteriores poderá verificar melhor. Em 2018 a questão pedia para descrever uma obra na qual o autor tenha feito uso de máquina. Vale lembrar também que a prova geralmente é temática, esta de 2017 acima, se você notar, verá que são autorretratos, e a segunda questão desse ano pedia que o candidato descrevesse um autorretrato que ele tenha visto (tirando os que aparecem na prova, claro). Em 2018 o tema era máquinas, então as obras tinham a ver com isso também, e a segunda questão pedia para comentar uma obra dentro do tema. Eu comentei sobre o Vik Muniz porque além dele ser famoso e fácil de memorizar, ele realmente utiliza máquinas (fotográficas) para registrar suas obras de arte. Válido, né?

A prova prática

A prova prática também foi tematizada dentro de "máquinas" no vestibular 2018. A primeira questão pedia para desenhar, usando material preto e branco, uma máquina que você tenha visto naquele dia de manhã. A segunda questão pedia para desenhar, usando material colorido, uma máquina que estivesse dentro da sala de aula. Na questão um, eu desenhei meu próprio celular, mas aproveitei para fazer um desenho de observação e incluir minhas mãos. Eu apoiei minha mão na mesa e a desenhei segurando um celular. Na questão dois eu desenhei o retroprojetor, mas para dar um diferencial, eu fiz os "raios" de luz RGB saindo dele.


Etapa 3 - Segunda Fase
Chegar na segunda fase da UNESP, na minha opinião, foi psicologicamente mais suave do que na FUVEST. Isso porque foi tudo muito rápido, antes do Natal tudo já tinha acabado. É como um corte limpo de faca, uma morte instantânea e indolor, sabe? E pelo menos a prova de habilidades específicas não te elimina e sim acresce nos seus pontos da nota final. Mas enfim, chegando aqui, você precisa se esforçar um pouco mais. Como eu disse lá em cima, minha colocação não foi boa pois eu NÃO estudei exatas. E a prova de exatas da UNESP é totalmente fazível para tapados das humanas feito eu. A FUVEST não perdoa quem não sabe, mas a UNESP ainda dá uma chance, entende? Por isso você tem que ir melhor, especialmente biologia e matemática, que na minha opinião foram as matérias mais fáceis das provas.

Meu desempenho na UNESP

Não há muito o que explicar sobre o desempenho, apenas vejam o quadro abaixo:

É isso aí. Espero ter sido de ajuda à você!